Deve ser esse nosso grande desejo.

Teresa d’Ávila, aos 7 anos fugiu de casa com seu irmão de 11 anos. Ela ouvira falar de uma guerra contra os muçulmanos, e, quem lutasse e morresse nesta guerra, iria para o céu. Dizia ao irmão : “Pense Rodrigo, é para sempre…” O tio os reconduziu à casa. O irmão jogou a culpa da aventura sobre Teresa. E ela, sem se abalar, disse: “Eu fugi porque queria ver a Deus.”

Quem têm fé, acredita no céu e espera o céu. Eu vivo assim cada dia? O nosso futuro é o céu. Ao que me prendo: ao passageiro, transitório ou ao eterno? 

Deus é um jardineiro que cuida das suas flores, e só as corta quando estão mais belas, maduras. Deus só leva as almas quando estão no cume de sua beleza e maturidade. São Paulo nos diz: “Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem há passado pela mente do homem as coisas que Deus preparou para nós.”

Um dia Deus nos colherá como a uma flor: quando estivermos mais esplendorosos. Por isso devemos lutar para que nos encontre como pessoas maduras, prontas para a eternidade. Maduras na fé e na esperança. 

A primeira realidade que revela maturidade na fé é acreditar que o céu ninguém merece. Não é a nota que recebemos pelo bom exame na vida. Prêmio pela vida bem vivida. O céu é puro dom gratuito de Deus. 

O único que mereceu o céu foi Jesus. Ele o mereceu para Si e para nós. O caminho do céu é um caminho de fé, acreditar que é um dom gratuito de Deus, e acreditar na antecipação do céu, que é a vida da graça. 

A graça é uma preparação para o céu, uma participação na vida meritória de Jesus Cristo já nesta vida. Grande investimento para ganhar a vida eterna é investir na vida da graça. 

Não levamos nada daquilo que passa, só o que permanece para a vida eterna é a graça de Deus que tivermos amealhado nesta vida pela correspondência ao que Deus nos pede. Que desejo devemos ter de buscar a graça de Deus! Daí todo o valor da graça sacramental.


São Josemaría Escrivá, o santo da vida cotidiana, dizia que cada um dos sacramentos é uma pegada divina que ficou registrada nos caminhos da terra. 


O Batismo nos faz filhos de Deus e herdeiros do céu. A Eucaristia é o penhor da vida eterna. Assistir à Missa é garantir a vida eterna. A Confissão, Matrimônio, Unção dos enfermos, não são opções pessoais, eles nos santificam. Vivê-los vai aumentar a maturidade na graça. 


A graça, a participação na vida de Jesus, nos leva a nos converter. É preciso mudar. O trânsito do tempo para a eternidade exige uma mudança fundamental no que é essencial na vida.

A pessoa em graça vai mudando e ficando mais bela por dentro. Temos que mudar, sermos pessoas de sucessivas conversões e não simples constatações. O céu está próximo de nós. De um momento para o outro podemos ser colhidos, e devemos estar com uma personalidade amadurecida pela vida que tivemos. 

Deus nos criou para a eternidade. Deve ser esse nosso grande desejo.