A PRUDÊNCIA CRISTÃ

São muito poucos e concretos os elogios que Jesus Cristo faz, no Evangelho, diante das atitudes das pessoas. Ele é sóbrio com elogios. Isso tem finalidade pedagógica; é para que nos concentremos no que é essencial:

Fé – sem a fé não podemos conhecer bem a Deus. Por isso Jesus Cristo elogiou a mulher Cananéia, que se contentava com um pequeno milagre, como as migalhas que caíam da mesa do senhor. “Mulher, como é grande a tua fé!”

O elogio à generosidade e desprendimento da pobre viúva que deixou 2 moedas de pequeno valor no cofre do Templo; ela tinha dado tudo o que possuía.

Na parábola dos talentos, Jesus Cristo mostra o valor da fidelidade: “Muito bem, servo bom e fiel”. Fé, generosidade, desprendimento, fidelidade: todas estas qualidades dependem muito da prudência.

- Fé, sem prudência, é fanatismo.

- Esperança, sem prudência, é falso otimismo.

- Caridade, sem prudência, leva-nos a viver mais pela emoção.

Fé, Esperança e Caridade não se podem exercer sem a virtudes da prudência.

Quem é o servo bom e fiel ?

Se temos algo de que nos arrependemos na vida, será pela falta dessa virtude. Quantas vezes abrimos nossa alma para a pessoa errada, que não era discreta. Quantas vezes, levados pela urgência, tomamos a decisão errada, nos colocamos em situação perigosa, por falta de prudência.

Essa virtude não é para que sejamos temerosos, mas para que pensemos sobre a vida com a luz de Deus. 

São Josemaria Escrivá, o santo da vida cotidiana, usou um exemplo simples. “Não basta querer ser médico; é preciso estudar medicina.” Não basta querer ser feliz; é preciso estudar a vida. É preciso escolher o modo certo de vencer aquele defeito. É preciso buscar o caminho mais conveniente, aprender a viver. Esse é um estudo que nunca termina: ser pessoa ponderada, reflexiva, que conhece o critério objetivo na vida. Buscar quem tem mais prudência, para se aconselhar. Não basta querer, é preciso aprender. Nunca podemos nos considerar formadíssimos nessa virtude. 

Três passos importam, nessa busca:

1- O CONHECIMENTO

Conhecer muito bem a realidade; nossa e a do mundo em que vivemos. Jesus Cristo falava em interpretar o sinal dos tempos. Não podemos ter memória curta. Lembrar nossas experiências e a dos outros.

2- JULGAMENTO

Assim como acontece no direito, o juiz não julga pela sua simpatia ou antipatia frente ao réu. Tem que julgar pela lei. Porque temos que fazer julgamento objetivo. Às vezes julgamos superficialmente, nos precipitamos.  A prudência é mais conhecida e vivida pela audácia.

3- AUDÁCIA

A prudência é a virtude dos lançados, dos audazes. 

Para que saibamos pisar bem, temos que viver com humildade o aconselhamento. A prudência pode fazer milagres em nossa vida, mas precisamos de uma assessoria, um aconselhamento. Alguém que seja prudente, criterioso, que ouça nossa confidência, pesando os prós e os contras, e este pode ser um bom amigo, os pais ou o sacerdote.

Assim como houve elogios, também há suspiros, no Evangelho.

“Ai de quem está só!” Que pena, quando uma pessoa quer governar sua vida sozinha! “Quem pode acrescentar 1 centímetro à sua altura?” Às vezes queremos fazer isso.

Há séculos quem está no mundo da física guia-se pela frase: “Dai-me um ponto de apoio, e eu levantarei o mundo.” (Arquimedes) – princípio da alavanca.

Que sorte tem quem encontra um bom ponto de apoio na sua vida, um bom conselheiro na sua vida. Como vai levantar pesos e ultrapassar obstáculos!

Quem é meu ponto de apoio? Com quem me aconselho? Isso é habitual, na minha vida?

Conhecer o mundo e os problemas da nossa vida, o caminho para as soluções ou viver sem soluções. Saber viver assim com apoio, se buscamos um ponto de apoio muito lúcido, sabendo que essa pessoa nunca vai nos enganar.

Essa pessoa lúcida, com clarividência e experiência, em primeiro lugar, é Deus. Com Ele temos que nos aconselhar, pois Ele tem o mapa de nossa vida, é o autor do plano de nossa vida. Quem de nós pediria o conselho de um ladrão de automóvel, para colocar uma trave de segurança no carro? 

Na hora de dar segurança à nossa vida, não recorremos ao grande conselheiro, que é Deus, porque temos pressa ao administrar a vida. Não encontramos 15 minutos para nos aconselhar. Rezar não é só pedir graças. 

A oração nos torna pessoas ponderadas e reflexivas. Vamos a Deus para escutar. O que Deus está pensando dos caminhos que tomo em minha vida? O que Deus pensa de nossas decisões sobre questões importantíssimas, cotidianas? O que Deus pensa desse filme, revista, livro, programa de TV que estou vendo? O que Deus pensa de meu procedimento e escolhas? 

Isso é oração. “Sr, essa minha decisão, esse programa de TV, é isso fazer um bem? É isso administrar o tempo de minha vida?” Usar critérios divinos, não critérios mundanos. Será que só recorro a Deus para consertar o estrago que fiz na minha vida?

Você não pode resolver agora? "Vou pensar um pouco”. 


Em uma conferência, o embaixador do Líbano contou que, quando esteve na Índia, conheceu Madre Teresa e ofereceu-lhe uma série de aparelhos de ar condicionado para suas casas, a fim de aumentar o conforto dos doentes. 

Ao ouvir a oferta, ela disse: -“ Por favor, espere um pouquinho” e foi até a capela. Em cinco minutos voltou, depois de consultar a Jesus Cristo, no sacrário. Sua resposta foi:- “Não posso aceitar, pois minhas irmãs e os doentes sairão daqui depois e voltarão à rua para trabalhar num calor de 40°. Esse é o mundo deles.”

Mais tarde, o Embaixador foi consultar-se com ela. Queria dedicar-se aos pobres e à oração, mas precisava dedicar muitas horas a seu trabalho diplomático, que lhe parecia superficial. 

Madre Teresa, novamente, pediu-lhe licença para se retirar. Foi até o sacrário para consultar-se com Deus. Em cinco minutos voltou e disse: - “Não, o senhor fique onde está, pois aí é que está a cruz que o senhor tem que carregar.”

Não foi o conselho dela. Foi o conselho de Deus. Ainda que pudesse ser bom para sua obra contar com o os recursos e conexões do diplomata, nada disso influenciou em sua resposta.

Eu faço isso? Tenho o raciocínio rápido: o que Deus tem a me dizer sobre isso?

O programa de vida que realizo, serve mesmo para o verdadeiro bem? Sou prudente?

Nosso grande conselheiro é Deus e as pessoas que Deus colocou como seus representantes sobre a terra: o Papa, a Igreja, as pessoas que têm experiência de vida e souberam desenvolver a prudência.

O sábio de coração será chamado prudente. A prudência vai deixando um rastro de sabedoria.

Nossa Senhora, sede da Sabedoria, mãe do bom conselho, porta do céu, foi uma pessoa que soube guiar sua vida de acordo com sua máxima: “Faça-se em mim segundo a Vossa vontade”.

Há vários registros das virtudes de Nossa Senhora. Humanamente falando, o único traço que conhecemos sobre ela é o que foi recolhido por São Lucas, que foi entrevistá-la , segundo a tradição. “Nossa senhora considerava todas as coisas no seu coração”. Por isso ela é a sede da Sabedoria e a Mãe do Bom Conselho. Vamos recorrer a ela para nos auxiliar.

Não são os anos que fazem a idade, mas sim a prudência. A verdadeira idade é mostrada pela prudência que minha maturidade revela.

  1. Compreendo que só é verdadeiramente prudente quem procura os meios de fazer o bem e cumprir a vontade de Deus?
  2. Que precisamos de fé e formação cristã? Que sem formação cristã é difícil tomar atitudes maduras?
  3. Deixo-me dominar pela falsa prudência, cautela medrosa que contorna as exigências generosas dos ideais cristãos?
  4. Procuro ter momentos diários de meditação para procurar os caminhos a seguir? Tenho devoção ao Espírito Santo? Peço que me ilumine a alma e me guie no caminho da vida?
  5. Sinto a responsabilidade de exercer uma influência benéfica sobre os que me cercam?
  6. Tenho a preocupação de aproximar os outros de Deus, fonte das verdadeiras alegrias?

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