O Perigo das Coisas Boas

O maior perigo para nossas vidas são as coisas boas, não as coisas ruins. Coisas que não encerram nenhuma maldade nos enganam mais do que o mal. Só porque fazermos uma coisa correta, achamos que estamos usando bem o nosso tempo.

Jesus quer que ponderemos bem nossas justificativas. A pessoa prudente, seguindo conselhos e orientação, é quem tem que fazer seu próprio juízo. É ela que deve decidir o que fazer. Porque Deus me aconselhou isso, eu assumo como uma coisa pessoal. A pessoa prudente julga os conselhos e vai tendo critérios objetivos.

Jesus Cristo nos diz que não basta ter boas razões, mas razões fundamentadas no Bem, no Amor, em Deus. É preciso comungar minha vida com a vontade de Deus. Isso é a voz da consciência.

Há um ditado italiano que diz: “Tradutore, traditori”. O tradutor é considerado um traidor pois nem sempre consegue ser fiel ao idioma que está traduzindo. Podemos trair a voz de Deus, a voz da nossa consciência, porque não a formamos bem.

O juízo da pessoa prudente parte da formação da consciência. O livro espiritual é bom conselheiro.

Um escritor dizia: Precisamos de um juízo profundamente cristão, equilibrado, aberto à eternidade que avalia as ações, para assim evitar as omissões e corrigir as negligências. Não podemos nos guiar só pelas coisas boas: Cinco juntas de bois, um campo, um casamento.

Será que acontece isso conosco? Achamos que é certo o que é bom? O açúcar é delicioso, mesmo para o diabético, mas não é um Bem.

É preciso formar a consciência associando-a a um Bem totalmente de acordo com o projeto de Deus, senão caímos no subjetivismo.  Passamos a achar que o que é bom é o que julgo como correto. Ou julgo como correto o que me tornaria rico, vivendo, mesmo sem cair em corrupção, só para acumular, negligenciando a família, por exemplo. Ou tenho como certo o que me insere num determinado grupo ideológico, mesmo que essa ideologia, ou moda, me façam trair, negligenciar o bem e até mesmo me endividar para "ficar na moda", ou para me divetir todo o tempo como se a vida fosse uma questão de diversão e comodidade somente.

Até onde posso ir para não errar ou pecar? Estamos falando da prudência que evita os desequilíbrios. Só porque acho que é bom não significa que é um Bem.

A pessoa prudente educa a voz da consciência para que não seja Tradutore Traditori, buscando um critério de vida fiel ao Sumo Bem.

Para isso é importante o conhecimento do Evangelho de Jesus Cristo, de sua vida. Se não entendemos, perguntamos, procuramos boas leituras. Assim educamos a voz da consciência. Também educamos não nos deixando levar somente por juízos próprios, que não são bons conselheiros. É preciso ter um conselheiro santo.

Diz São Josemaria: “Não é prudente quem nunca se engana, mas quem retifica seus próprios erros”. Quem acha que se justificou com uma boa razão, “não prejudiquei ninguém”; essa pessoa nunca vai retificar, nunca vai ser prudente, pois o juízo próprio sempre predomina.

Se não defendemos cegamente nossas razões, sem razão vamos conseguir distinguir o Bom do Bem; vamos entrando em comunhão com Deus.

A pessoa prudente é também audaciosa. Depois de fazer o juízo certo, tendo ponderado os conselhos, comparando-os com a vontade de Deus. Uma vez sabendo o caminho, não espera, vive. Decidiu, viveu.

É interessante perceber um fato: Cada vez mais, as pessoas se cercam de meios para viver em segurança: em volta de casa, as grades. No carro, o cinto de segurança. Aparelho que evita alteração na luz, seguros de vida e saúde. Sentindo-se tão seguros, são bem imprudentes, abusam da bebida e têm acidentes fatais. Mesmo com aparelhos, aparentemente seguros, nos surpreendemos com máquinas queimadas.

Quanto mais seguros, mais imprudentes. A vida vai passando e não vivemos o que deveríamos viver. Sabendo o caminho certo, adiar é imprudência. A prudência é como a proa de um navio que vai abrindo caminho no mar; por isso é afiada. A popa pode até ser reta. A prudência tem que rasgar nossa preguiça e os obstáculos psicológicos.

Jesus Cristo disse: “Sede prudentes como as serpentes.” 

Em perigo, a cobra não se enrola; ela ataca. 

Ele não disse: sedes prudentes como os ratinhos ou as amebas.

Há uma expressão que diz que “diante de uma situação difícil, precisamos cortar o nó de górdio”: Um guerreiro, Alexandre Magno, invadiu o coração da Ásia com seu exército. Chegou à cidade de Górdio. Nela havia um templo com um altar, onde se encontrava uma corda com um nó. Havia a crença de que quem pudesse desatar esse nó, seria o senhor da Ásia. 

Uma pessoa tímida tentaria desatá-lo, a vida inteira. Alexandre cortou o nó com sua espada. Com um só golpe, desatou-o.

Por que sou uma pessoa tão insegura? Por que tenho tanto medo da vida? Por que os malditos complexos que me atrapalham tanto?

Aí vamos atrás de medidas paliativas que não resolvem nada... Uma vez que vejamos o que fazer, peguemos a proa da vida, a espada, e cortemos o nó que nos ata.

A prudência da carne inibe, encolhe, como dizia S.Paulo.

Quanto maior o intervalo entre a decisão e a execução, tanto menor a probabilidade de sucesso.

A pessoa prudente é lançada, é uma pessoa dinâmica, sua vida flui como um rio caudaloso, não forma charcos e pântanos. A pessoa prudente não tem lagos na sua vida. O lago é bonito, mas é água contida. A vida tem que ter dinamismo e fluidez.

Temos que estar com os olhos abertos para o perigo das coisas boas. Peçamos a Deus, que é o dono de nossa vida, que um dia possamos ouvir dele o elogio:

“Que pessoa fiel e prudente, que sabe agir e se aconselhar retamente!”

Que Deus nos dê a vontade de viver a vida com equilíbrio, com os pés bem fincados na terra e a cabeça mirando o céu.

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