População de Hassakè vítima das facções curdas armadas pelo Ocidente

ÁSIA/SÍRIA - Arcebispo Hindo: a população de Hassakè vítima das facções curdas armadas pelo Ocidente

Hassakè - (Agência Fides) – Volta a aumentar a tensão na cidade de Hassakè e em toda a região nordeste da Síria. 

Enquanto se reduz a pressão exercida por anos ao redor das principais cidades da área por milícia jihadistas de Jabhat al Nusra e do Estado Islâmico (Daesh), os frágeis equilíbrios locais estão sendo colocados em risco por operações militares e de poder de grupos curdos que querem impor a sua hegemonia naquela parte da Síria, com o apoio de grupos internacionais. 

Quem lança o alarme é o Arcebispo sírio Jacques Behnan Hindo, que governa a arquidiocese sírio-católica de Hassakè-Nisibi. “Em Hassakè – assinala o Arcebispo à Agência Fides” – as milícias curdas do YPG recolocaram guaritas em toda a cidade, inclusive na frente do bispado.

Sentem-se claros sinais de uma nova tensão que aumenta com o exército governamental. Hoje soube que grupos armados curdos foram às escolas para advertir que no final das aulas tomarão posse de todo s os edifícios escolares nos bairros sob seu controle. 

Assim, entre outras coisas, muitos estudantes, sobretudo curdos, não poderão fazer suas provas de fim de ano”.

Os curdos que apoiam o Partido da União Democrática (PYD) e as milícias do YPG a ele filiadas, constituem o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) cujas bases estão na Turquia.

Estas siglas, segundo o Arcebispo Hindo, representam cerca de 10% da população local curda, mas se impõem sobre o resto da população local em virtude dos apoios logísticos e militares de diversos atores internacionais.

Reforçados com armas e ajudas estrangeiras, estes grupos estão em conflito com outras forças e siglas curdas, parcialmente apoiadas pelo governo da Região autônoma do Curdistão iraquiano e de seu Presidente, Masud Barzani.

No último mês de março, os militantes do PYD, com seu braço armado, impuseram o fechamento de 44 sedes e escritórios de organizações e movimentos da sociedade civil, em maioria curdos.

No ano passado, as mesmas forças do PYD sequestraram, na cidade de Qamishli, Ibrahim Biro, Presidente do Conselho nacional curdo sírio (ENKS), obrigando-o a abandonar o país, sob ameaça de morte.

Agora – comenta o Arcebispo Hindo” – todos mandam armas aos do PYD: franceses, italianos, estadunidenses... Com as armas, impõem seu domínio a outros grupos curdos, mas não possuem milícias suficientes para controlar as guaritas, que são depois confiadas a empregados árabes ou beduínos.

E fora da cidade, muitos daqueles que estão recrutados com o YPG estavam anteriormente unidos às milícias de al Nusra e de outros grupos jihadistas, seguindo a lógica de filiar-se a quem paga melhor”.

Ao PYD é atribuída a intenção – perseguida há anos – de modificar a composição demográfica do nordeste da Síria, pressionando de várias formas a população árabe e turcomena a emigrar.

O fenômeno é denunciado principalmente por refugiados sírios que se abrigaram em terras turcas. “Sinto apreensão – sublinha o Arcebispo Hindo – em saber do que está acontecendo também em nosso território: chegam refugiados da região de Raqqa, são fechados em áreas que parecem campos de concentração, sem tendas, onde sobrevivem como animais dentro de buracos escavados no terreno e cobertos com plásticos. Uma vez entrados, lhes é impedido até de sair para voltar às suas aldeias, a menos que paguem uma soma consistente de dinheiro. A situação é administrada pelas milícias curdas sem algum controle ou intervenção das organizações internacionais”. (GV) (Agência Fides 10/5/2016). 








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